Edson Pimenta é patrono de formandos em Engenharia Mecânica

Inicialmente apresento meus cumprimentos aos digníssimos componentes da mesa, aos ilustres formandos, pais, mães, demais parentes, enfim a todos os presentes.

Antes de tudo quero ressaltar o quanto me sinto honrado por ter sido convidado para ser o Paraninfo desta turma de Bacharéis em Engenharia Mecânica, Honra, orgulho e profundo agradecimento são o que melhor expressam o que eu sinto por estar aqui a convite de vocês. Muitíssimo obrigado, de coração.

Assim, quero parabenizar a todos que têm no dia de hoje um verdadeiro marco em suas vidas, jovens que pela longa, árdua e exigente jornada de estudos alcançam um grau de saber e competências que os distingue com especial realce no conjunto da sociedade brasileira.

Quero também saudar e parabenizar as mães e os pais desses jovens brilhantes. Tenham certeza de que são verdadeiros vencedores por terem conduzido seus filhos ao longo de tão importante jornada que culmina neste encontro inesquecível para todos nós. Eu, por exemplo, não sou capaz de traduzir a emoção que sinto agora, pois também sou um pai que ora vive um dos momentos mais sublimes da minha vida por ter, também, um filho, que muito me orgulha, entre os formandos desta turma.

Aos jovens que hoje se formam alcançaram uma conquista importantíssima em suas vidas. No entanto, também é verdade que a partir dela deverão assumir papéis e responsabilidades de extrema relevância na sociedade, que muito exigirão deles.

A esse respeito, quero trazer para reflexão desses jovens, algumas palavras sobre um tema extremamente importante, não apenas por estar em voga, mas principalmente por ser um assunto sobre o qual temos que dar o melhor de nós, cada vez mais, principalmente por profissionais que, a partir de agora, vocês se tornam. Quero falar um pouco sobre: sustentabilidade e educação ambiental.

Em um contexto marcado pela permanente agressão ao meio ambiente, no Brasil e no mundo, nossa atenção deve concentrar-se na revisão das nossas práticas sociais sob a perspectiva da sensibilização, da conscientização e da educação ambiental de modo a moldar a ação humana ao preceito máximo de preservação da vida na Terra, em todas as suas formas.

Observa-se que há avanços em termos de sensibilidade e consciência. O maior desafio que se coloca então é de formular uma educação ambiental que seja crítica, inovadora e verdadeiramente efetiva no sentido de dar às pessoas instrumentalização bastante para um agir sustentável. Assim, ela deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva de ação que relacione o homem, a natureza e o universo, tendo como referência que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua degradação é o ser humano.

Tomando-se como referência o fato de a maior parte da população brasileira viver em cidades, observa-se uma crescente degradação das condições de vida, refletindo uma crise ambiental. Isto nos remete a uma necessária reflexão sobre os desafios para mudar as formas de pensar e agir em torno da questão ambiental.

Refletir sobre a complexidade ambiental abre uma importante oportunidade para compreender a responsabilidade de profissionais como vocês que devem se mobilizar para a apropriação da natureza, para um processo educativo articulado e compromissado com a sustentabilidade e, consequentemente, com a vida em sua plenitude.

Devem ser questionados valores e premissas que norteiam as práticas sociais prevalecentes, implicando mudança na forma de pensar e transformação no conhecimento e nas práticas educativas.

Os riscos atuais caracterizam-se por ter consequências, em geral de alta gravidade, desconhecidas a longo prazo e que não podem ser avaliadas com precisão, como é o caso dos riscos ecológicos, químicos, nucleares e genéticos.

Isso implica a necessidade de se multiplicarem as práticas sociais baseadas no fortalecimento do direito ao acesso à informação e à educação ambiental em uma perspectiva integradora. E também demanda aumentar o poder das iniciativas baseadas na premissa de que um maior acesso à informação e transparência na administração dos problemas ambientais urbanos pode implicar a reorganização do poder e da autoridade.

Há uma demanda atual para que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um papel mais propositivo, bem como seja capaz de questionar, de forma concreta, a falta de iniciativas governamentais na implementação de políticas ditadas pelo binômio da sustentabilidade e do desenvolvimento.

A postura de dependência e de pouca responsabilização da população decorre principalmente da falta de informação, da falta de consciência ambiental e de um déficit de práticas comunitárias baseadas na participação e no envolvimento dos cidadãos, que proponham uma nova cultura de direitos com base na motivação e na co-participação da gestão ambiental.

Profissionais como vocês devem ter a função promover, induzir e mediar a construção de referenciais ambientais e devem saber usá-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática social centrada no conceito da natureza.

A problemática da sustentabilidade assume neste novo século um papel central na reflexão sobre as dimensões do desenvolvimento e das alternativas que se configuram. O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela que o impacto dos humanos sobre o meio ambiente tem tido consequências cada vez mais complexas, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.

O conceito de desenvolvimento sustentável surge para enfrentar a crise ecológica e tem como pressuposto a existência de sustentabilidade social, econômica e ecológica. Explicita a necessidade de tornar compatível a melhoria nos níveis e qualidade de vida com a preservação ambiental. Surge para dar uma resposta à necessidade de harmonizar os processos ambientais com os socioeconômicos, maximizando a produção dos ecossistemas para favorecer as necessidades humanas presentes e futuras e a necessidade de inverter a tendência autodestrutiva dos processos de desenvolvimento no seu abuso contra a natureza.

Entre as transformações mundiais das duas últimas décadas, aquelas vinculadas à degradação ambiental e à crescente desigualdade entre regiões assumem um lugar de destaque no reforço à adoção de esquemas integradores e chama a atenção para a necessidade de uma nova postura cidadã e ética em relação à preservação do meio ambiente, caracterizada pelo desafio de uma responsabilidade tanto entre as gerações quanto entre os integrantes da sociedade dos nossos tempos.

O desenvolvimento sustentável deve levar em conta tanto a viabilidade econômica como a ecológica reportando-se à necessária redefinição das relações entre sociedade humana e natureza, e, portanto, a uma mudança substancial do próprio processo civilizatório, introduzindo o desafio de pensar a passagem do conceito para a ação.

Existe um desafio essencial a ser enfrentado, e este está centrado na possibilidade de que os sistemas de informações e as instituições sociais se tornem facilitadores de um processo que reforce os argumentos para a construção de uma sociedade sustentável. Para tanto é preciso que se promova uma consciência ética que questione o atual modelo de desenvolvimento, marcado pelo caráter predatório e pelo reforço das desigualdades.

O desafio que está colocado é o de não só reconhecer, mas estimular práticas que reforcem a autonomia e a legitimidade de atores sociais que atuam articuladamente numa perspectiva de cooperação. Isto representa a possibilidade de mudar as práticas prevalecentes de políticas ambientais, pois se trata de repensar o público por meio da sociedade e de verificar as dimensões da oferta institucional e a criação de canais institucionais para viabilizar novas formas de cooperação social.

O papel de todos que, como vocês, alcançam um grau mais elevado de consciência, saberes e competências inclui atuar como promotores e transmissores de conhecimento para impulsionar as transformações de uma sociedade que assuma um compromisso com a formação de valores de sustentabilidade, como parte de um processo coletivo no qual há responsabilidade de cada um para construir uma sociedade planetária mais equitativa e ambientalmente sustentável.

Essa realidade fará parte de suas vidas como um eterno e renovado desafio, a exigir-lhes dedicação exemplar e desempenho desmedido. Confio nesta juventude ilimitadamente, muito mais que na minha própria geração. Desejo-lhes, portanto, todo o êxito no desempenho da sua profissão, pois da forma que a conduzirem, qualquer que seja ela, estarão gerando consequências para o destino da humanidade.

Muito obrigado.